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PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO DE ARARI: o sítio Boca do Campo

  • Foto do escritor: Adenildo Bezerra
    Adenildo Bezerra
  • 23 de mar. de 2023
  • 3 min de leitura

O patrimônio arqueológico compreende a porção do patrimônio material para o qual os métodos de arqueologia fornecem conhecimentos primários. Engloba todos os vestígios da existência, principalmente onde há indícios de atividades humanas, não importando quais sejam elas, estruturais e vestígios abandonados, de todo tipo, na superfície, no subsolo ou sob as águas, assim como materiais a eles associados.


Os sítios arqueológicos são pontos na paisagem onde ocorreram interações entre humanos e o ambiente. Grosso modo, os sítios podem ser pré-coloniais, de contato e históricos, a depender da sua temporalidade. As atividades humanas deixaram vestígios, os quais nos referimos como cultura material: ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram sua comida, uma pintura, cerâmica, uma sepultura e outras marcas.

Nesse contexto, o município de Arari possui registrado o seu sítio arqueológico, denominado de sítio Boca do Campo, localizado próximo à estrada de ferro Carajás, na região do povoado Moitas. Veja a localização no mapa abaixo:


Mapa produzido pelo pesquisador, Dr. Willian Carboni Viana, março/2023


O sítio Boca do Campo está assentado sobre um outeiro, circundado por uma área alagável. A área é cortada por um barranco na porção NE, resultado de atividades antrópicas recentes (NAVARRO et al. 2020, p. 67). A distribuição dos fragmentos cerâmicos encontrados mostra forte relação com a porção mais altaneira do teso, que alcança 15 metros de altura em relação ao nível do mar.


De acordo com NAVARRO et al. (2020), no contexto sistêmico foram classificados 2 776 fragmentos diagnósticos e 3 756 fragmentos não diagnósticos, enquanto que no contexto não sistêmico foram classificados 854 fragmentos diagnósticos e 828 não diagnósticos. Portanto, a coleção cerâmica do sítio é composta por 8 214 fragmentos.


A cerâmica do sítio Boca do Campo caracteriza-se pelo avançado estado de erosão. Em média, 60% dos fragmentos encontrados não puderam ter suas manufaturas identificadas através da observação de marcas de confecção. Assim, o acordelamento foi a técnica mais popular aplicada na produção ceramista encontrada no sítio. A técnica de acordelamento consiste em confeccionar a peça com cordões de argila, daí o nome. Os antiplásticos (materiais misturados à argila para dar firmeza à pasta) predominantes nas cerâmicas encontradas no sítio Boca do Campo, em Arari, são cariapé, carvão e mineral. A título de explicação, cariapé é qualquer substância rica em sílica como, por exemplo, a areia.


Veja abaixo fotos de fragmentos cerâmicos encontrados no sítio:



FOTOS: NAVARRO et al. 2020, p. 71 e 72.


Segundo NAVARRO et al. (2020, p. 84), os rostos antropomorfos (forma de humano) e zoomorfo (forma de animal) de possíveis fragmentos de estatuetas encontradas no sítio Boca do Campo são muito parecidos aos das estearias e se estes não poderiam ter sido importados das estearias mais próximas. As estearias são sítios arqueológicos de grupos indígenas que viviam nos lagos da Baixada Maranhense.

O sítio arqueológico Boca do Campo, situado no promontório dos campos alagados, possui como data mais recuada o ano 800. As datações com carvões associados à TPA (Terra Preta Arqueológica), situam esse estrato entre 800 e 100 AEC (Antes da Era Comum) (NAVARRO et al, 2020, p. 88).

A existência de terra preta no estrato do sítio Boca do Campo, contemporâneo às estearias, corrobora o argumento de Moraes e Neves (2012, apud Navarro, 2020) que a TPA foi caracterizada por um maior adensamento populacional dos assentamentos indígenas. Assim, é possível que o sítio Boca do Campo tenha sido várias vezes ocupado por diferentes grupos indígenas da etnia Tupi ou por Guajajaras, embora discussões étnicas sejam arriscadas e incipientes no que tange o contexto dos grupos aqui mencionados.



REFERÊNCIAS



NAVARRO, A. G.; REIS, A. C. H.; OLIVEIRA, W. C. Arqueologia nas Fronteiras da Baixada Maranhense: as ocupações pré-coloniais dos Sítios Boca do Campo e Mearim 01 e possíveis relações com as estearias. Revista Tessituras, 2020, p. 63-89.


REVISTA CONHECER PARA PRESERVAR. Patrimônio cultural na área de abrangência da Linha de Transmissão de Energia Elétrica Açailândia-Miranda II. Patrimônio Arqueológico. Vimte Energia, s/d, p. 29-31.



 
 
 

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