A GALINHA PRETA COM PINTOS NA PONTE DO UBATUBA
- Por Adenildo Bezerra
- 17 de jul. de 2020
- 2 min de leitura

As pessoas idosas sempre nos dizem que Arari era um lugar “visageiro”, ou seja, aconteciam coisas sobrenaturais e que, vez por outra, ouviam relatos de pessoas que afirmavam ter visto visagens. Sabe-se, portanto, que há muitas histórias sobre episódios assustadores na cidade. Neste breve texto falarei da famigerada história da “Galinha Preta com Pintos do Ubatuba”. Esse conto consta no livro Ressonância de Ecos, do geógrafo arariense, José Soares. A seguir, transcreveremos, na íntegra, esse acontecimento que, até hoje, ainda é bastante comentado por moradores mais velhos de Arari.
“Ubatuba é um pequeno igarapé que separa o povoado Perimirim da cidade de Arari, cuja ponte fazia a ligação dos dois lugares. Apesar da pouca largura do igarapé, não se fazia necessária a grande extensão da ponte, não fora parte da estrada, a partir das margens, ficar bastante alagada pelas águas das marés. Essa disparidade entre a ponte e o igarapé deixava os transeuntes em lamentável estado de pavor, quando ali tinham que atravessar. Principalmente nas noites escuras, sem luar. Conforme notícia que chegaram até nós, fora visto ali, por pessoas merecedoras de crédito, uma galinha preta acompanhada de muitos pintinhos que, como sinal de proteção à prole, atacava veementemente as pessoas que, em certas noites, por lá passavam. Esses comentários foram silenciados à medida que o igarapé se transformava pela ação do tempo e a substituição da ponte, feita em outro lugar do mesmo canal” (SOARES, S/D, p. 73).
A ponte do Ubatuba é conhecida como um dos lugares mais assombrosos de Arari. Até hoje ainda existem pessoas que têm receio de passar sozinhas, à noite, por ela. Além da história da galinha com pintos, várias vezes ouvi dos mais velhos uma outra história a respeito de uma grande porca que atava os transeuntes no Ubatuba. Inclusive há um amigo meu que me relatou, e até jurou, que uma noite, há muito tempo, vindo da casa de sua namorada, que morava no Perimirim, que fora atacado pela dita porca. Desde aquele fatídico dia, segundo ele, não passou mais a pé pelo Ubatuba. Assim, essas histórias ficaram no nosso imaginário e atualmente fazem parte do nosso patrimônio imaterial. São nossas lendas.
FONTE: SOARES, José. Ressonância de Ecos. Sem data, p. 73.