Usos e ocupações do solo entre os povoados Matadouro e Félix, na zona rural de Arari-MA
- Por Adenildo Bezerra
- 18 de jul. de 2018
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O processo de ocupação do território, determinado por condicionantes naturais e sociais, e as suas consequências sobre os sistemas ecológicos, produzem efeitos na paisagem e no ambiente que precisam ser compreendidos para que possam ser oferecidas alternativas para o futuro de nossas sociedades rumo à sustentabilidade. O uso e a ocupação do solo são o reflexo de atividades econômicas, como a industrial e a agrícola entre outras, que são responsáveis por alterações na qualidade da água, do ar, do solo e de outros recursos naturais, que interferem diretamente na qualidade de vida da população.
Nesse contexto, fizemos uma análise acerca dos usos e ocupações do solo na região que compreende os povoados ararienses de Matadouro (3º 25’ 81” S e 44º 42’ 20” W, com elevação de 11m em relação ao nível do mar); Boca do Caminho (3º 28’ 44” S e 44º 39’ 09” W, com elevação de 17m); Paiol (3º 28’ 81” S e 44º 39’ 08” W, com elevação de 13m); e Félix (3º 29’ 76” S e 44º 38’ 75” W, com elevação de 17m). Essa área pesquisada fica localizada a leste do município, limite com o município de Miranda do Norte.
O relevo da área em questão é composto por planícies inundáveis, com elevações sutis não superior a 20m. Essas elevações são “outeiros”, conhecidos na região como tesos. Nas planícies alagáveis, predomina uma vegetação formada por gramíneas e ciperáceas; árvores arbustivas como o mata-pasto (Senna alata) e popoqueiras (Coccoloba ovata Benth.); o algodão bravo (Ipomoea fistulosa Mart.) entre outras. Nos tesos, predomina uma vegetação formada por árvores mais altas, vegetação de terra firme, como: axixá (Sterculia chica St.Hill. ex Turpin.), angelim (Andira fraxinifolia Benth.) gameleira (Ficus insipida Willd.), ingá (Inga marginata Willd.), embaúba (Cecropia glaziovi Snethlage), jenipapo (Genipa americana L.), pau d’arco (Tabebuia alba), dentre outras. Há também a predominância de palmeiras típicas como o tucum (Astrocaryum vulgare Mart.), o marajá (Bactris brongniartii Mart.), a titara (Desmoncus orthacanthos Mart.) e o babaçu (Orbignya phalerata Mart.). Essas palmáceas compõem uma formação vegetacional de transição entre os campos inundáveis e os tesos.
Como a maior parte da região é composta por campos inundáveis, estes ficam submersos durante os meses de janeiro e junho. O Laguinho, lago perene localizado no entorno, junta-se com o lago Açutinga, localizado a 24 km do antecedente, inundando a área durante o período chuvoso. Na época da estiagem, que vai de julho a dezembro, os campos transformam-se em uma grande área pastagem para o gado vacum e bubalino, que são criados de forma extensiva.
Na pecuária da região pesquisada, a bubalinocultura representou um violento impacto ambiental na região. Originário da Ásia, o búfalo foi introduzido no Brasil no final do século passado, na Ilha de Marajó - PA. Foi trazido para a Baixada Maranhense através de incentivo governamental, como alternativa para estimular a economia da região, na década de 1960. O animal produz mais carne e leite que o gado comum, entretanto é pesado e tem largos cascos fendidos (PINHEIRO apud MARQUES, 2000, disponível na página Geografando), danificando a vegetação bem mais do que o gado. O búfalo também tem o hábito de passar longos períodos dentro d’água, deixando-a turva e ocasionando a morte dos peixes e assoreamento dos lagos e igarapés.
A agricultura na região é caracterizada pelo sistema de roças itinerantes de baixa produtividade, em função da falta de recursos para aquisição de insumos e da ausência de acompanhamento técnico para o pequeno produtor. Os principais produtos cultivados na região são: o arroz, o feijão, a melancia, o melão, a mandioca e o milho. Merece destaque, ainda, a piscicultura. Muitos moradores dos povoados estudados mandam fazer açudes em suas propriedades para a criação de peixes, como forma de tornarem as terras mais produtivas.
Entre as atividades extrativas merece destaque a exploração incipiente de palmáceas como o babaçu. Devido o crescimento do latifúndio, a área é completamente cercada, o que dificulta o trabalhos das quebradeiras de coco para juntarem o fruto e retirarem a amêndoa. A extração mineral é presente na área estudada através das jazidas de piçarras em terrenos particulares. Esse mineral é bastante utilizado, sobretudo para o aterro das estradas vicinais. No período seco, diariamente, encontra-se várias caçambas e/ou caminhões transportando piçarra das ‘piçarreiras’ da região para localidades circunvizinhas.
Agricultura de subsistência ainda é praticada na região de forma rudimentar, utilizando as queimadas para preparar o solo para o cultivo. Geralmente, o lavrador escolhe uma área, nas terras mais altas, faz a derrubada da vegetação e ateia fogo para limpá-la. Após a queima, cercam, juntam as coivaras e fazem o plantio. Essa prática do uso das queimadas para preparação do solo é condenável, pois o fogo, às vezes, foge do controle e destrói a vegetação no entorno e, além disso, destrói a fauna edáfica e os nutrientes compostos na terra. Os lavradores locais afirmam que as cinzas que ficam após as coivaras ajudam na adubação do solo. Nos quatro povoados citados, as práticas de manejo, usos e ocupações do solo são comuns.
REFERÊNCIAS
PEREIRA, Alex Kilmer Castro; SANTOS, Loraine de OliveiraLauris dos. Mapeamento dos tipos uso e ocupação do solo da região do centro da cidade, Santa Inês –MA. Disponível em: http://propi.ifto.edu.br/ocs/index.php/connepi/vii/paper/viewFile/1118/2114 Acesso em: 13. Jul. 2018.
DIAS, Jorge Luiz. A geomorfologia e o uso e ocupação do solo na Baixada Maranhense. Disponível em: http://luizjorgedias.blogspot.com/2011/03/geomorfologia-e-o-uso-e-ocupacao-do.html. Acesso em: 12 de julho de 2018.