Meu poema preferido
- Por Adenildo Bezerra
- 14 de jan. de 2017
- 1 min de leitura
LAMENTO MEARINENSE
Eu venho de longe, do sul do Maranhão,
Trazendo vida e fartura para toda região;
Fertilizo campos, abasteço várias cidades,
Amenizo a sede e a fome, supro necessidades.
Sou fonte de alimento, de lazer e diversão,
Oferto o sustento de toda população;
Sirvo de integração entre povos distantes,
Mas meu vigor não é mais como antes.
Meu leito não corre como outrora,
Minhas águas, aos poucos, vão embora;
Minhas matas já não me protegem mais;
Nelas o homem ateou fogo, fez roçados,
Capoeiras desérticas e pastos para animais.
Meus peixes foram para longe de mim,
Dizimados por uma cólera predatória;
Já não são encontrados com facilidade,
Por que sou vítima de tanta maldade?
Sou natureza, não dependo de ninguém;
Sem o homem, seria mais vivo e robusto.
Mas acabem comigo, com atitudes insanas,
Quero vê-los sucumbir, oh! Seres sacanas!
Como pode o homem dizer que é racional,
Fazer discursos bonitos, dizer que é lógico,
Se sem respeito comete contra mim
Terríveis crimes ecológicos?
A perseguição é tamanha; maior é a sanha,
Que até a Mãe D’água foi embora também;
Não irei suportar toda essa ingratidão,
Daqui a pouco ficarei sozinho, sem ninguém!
Sobreviver assim, sem amor, é um desafio;
Meus meandros assoreados, meu pudor ferido,
É tanta poluição, destruição sem remorsos;
Só queria ser protegido, e não ser combatido!
