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A Literatura em minha vida

  • Por Adenildo Bezerra
  • 14 de jan. de 2017
  • 5 min de leitura

Durante a minha infância, geralmente, faltava-me o que comer. Meus pais eram pobres, e mesmo trabalhando diuturnamente para alimentar uma prole de 8 filhos, as coisas não eram fáceis. Eles se "viravam" como podiam para prover a casa. Minha mãe era quebradeira de coco babaçu. Quebrava, em média, oito quilos por dia, que trocava-os por produtos como: café, açúcar, sabão, óleo, enfim, mantimentos; e lavava roupas para pessoas de fora.


Meu pai era polivalente. Sabia fazer um pouco de tudo: aplicava injeções, exercia a carpintaria, era considerado por muitos como um dos grandes construtores de telhados da cidade; fazia benzições e fricções, cortava cabelos, era um exímio pescador e era lavrador. Amava cultivar a terra. Além de trabalhador, meu pai era um homem divertido. Cantador de toadas de bumba-me-boi; cantava, batia e pungava nas rodas de tambor de crioula; era um bom dançarino, por sinal.


Mesmo com todas as dificuldades, todavia, na nossa casinha simples, de taipa, nunca faltaram livros. Minhas irmãs, Alice Bezerra e Edina Bezerra, apaixonadas pela leitura e pelo conhecimento, sempre buscavam adquirir livros, e, em uma estante improvisada com tábuas e tijolos, mantinha-os guardados, sempre à nossa disposição. Pelo exemplo, procuravam incentivar-nos a adquirir, assim como elas, o hábito de ler. Mamãe, mesmo sem nunca ter ido à escola, sempre nos incentivava a estudar. Seus conselhos eram voltados para a importância do estudo para o nosso futuro, para as nossas vidas. Era atenta às nossas atividades escolares. Primava por nossa frequência às aulas. Papai fazia treinos de leitura com a gente, a fim de verificar como estávamos lendo. Lembro-me que, geralmente ao meu-dia, ele deitava em uma rede, pegava um livro, e chamava um de nós para ler para ele. Ele simplesmente estava fazendo-nos exercitar a fluência leitora. Daí, devido ao acompanhamento familiar, e à convivência salutar com os livros, eu passei a amá-los e a utilizá-los. Aproximei-me pelo conhecimento. E isso fez toda diferença em minha vida. Foi primordial para a minha formação humana e profissional.


Fui e ainda sou movido pelo exemplo dos meus pais e das minhas adoráveis irmãs, que, muito cedo, devido às necessidades aqui já expostas, começaram a trabalhar exercendo o Magistério com muita abnegação e competência, diga-se de passagem. Com o que recebiam, ajudavam na compra de mantimentos para casa e nas despesas com os estudos dos demais irmãos. Por várias vezes, Edina debitou parte do seu salário para pagar as mensalidades e comprar os livros didáticos do Colégio Arariense, onde eu estudava. Os livros didáticos não eram gratuitos à época, e eram caros. Assim, eu procurava recompensar o esforço dos meus pais e das minhas irmãs, sobretudo o esforço de Edina, e dedicava-me aos estudos. Fui crescendo e tornando-me um leitor assíduo e voraz. Minha paixão eram os livros de geografia. Uma paixão de menino, que até hoje eu cultivo. Viajava nos mapas, memorizava as capitais dos estados brasileiros e dos países diversos.


Aos 18 anos, conclui o Magistério, em 1997. No mesmo ano fui aprovado no primeiro concurso que prestei, em Vitória do Mearim. Fui lotado no ano seguinte, 1998, em uma escola da zona rural do referido município, no povoado São Lourenço. Em 2001, fui aprovado no segundo certame que fiz, desta vez em Arari. Fui lotado no povoado de Mata. Antes, em 1999, fui convidado a lecionar geografia no Colégio Arariense. Nesta egrégia escola, trabalhei por oito anos. Essa experiência no Colégio Arariense foi decisiva para o meu crescimento e sucesso profissional, como professor. Minha passagem pelo Colégio Arariense foi marcante para o meu crescimento no magistério arariense.


Desse modo, o Magistério foi importante para o meu desenvolvimento intelectual também. Pois, sempre concebi que um bom professor, primordialmente, precisa ser um bom leitor e pesquisador. Depois de muito estudar e ler, resolvi começar a escrever. Se bem que, no período escolar, já produzia boas redações escolares, modéstia à parte. Éramos incentivados e cobrados pelos professores a produzir textos. E as redações eram corrigidas, mesmo. Lembro de quando eu cursava a 7ª série, meados da década de 1990, no Colégio Arariense, e escrevi um texto intitulado "Eduardo e Sandra". Era uma história de amor entre ambos... Bem, encurtando a conversa, o certo é que a nossa professora de Português à época, Dona Creuzinha, gostou da redação e me fez muitos elogios. Flutuei de tanto orgulho, emoção e alegria! Os encômios da professora Creuzinha serviram de motivação para mim.


O tempo foi passando... Eu fui adquirindo mais conhecimentos. Então decidi escrever sobre Arari. Enfocar os seus aspectos geográficos. Isso já no ano de 2005, quando lecionava Geografia no Colégio Arariense, como supracitei. Comprei um notebook e comecei a digitar nele todos os meus escritos, a fim de deixa-los organizados e seguramente arquivados para posterior publicação. Em 2014, realizei um dos meus grandes sonhos. Com a ajuda do meu amigo Cleilson Fernandes, lancei o meu livro "ARARI, espaço e sociedade". Em 2018, lancei o meu segundo livro intitulado "ARARI: terra e gente".


Em seguida, comecei a escrever poemas, sem intenção de publicá-los. Eis que, com o advento do facebook, meus poemas ganharam notoriedade e fui convidado a integrar uma comunidade literária chamada "Elos Literários". E comecei a publicar meus poemas na Coletânea homônima. Assim, já participei de cinco edições da referida Coletânea. Em 2014, participei de uma singela coletânea composta só por escritores ararienses: a coletânea "Poesia Arariense", uma iniciativa do profícuo arariense, Cleilson Fernandes. Participei, ainda, da Coletânea "Escrever é uma Alegria", em 2015, da Editora Alternativa, de Porto Alegre. Em 2016, fui convidado pela escritora gaúcha, Adélia Einsfeldt, para participar de mais uma coletânea de nível nacional: a "LITERATURA - sentimentos e razões", daí, já participei de três edições dessa obra. Em 2017, fui convidado pelo escritor, também gaúcho, Milton Pantaleão (in memoriam), para participar da coletânea "IMORTAIS". A participação nestas notáveis coletâneas, abriram muitos caminhos para mim. Oportunizaram-me a possibilidade de divulgar meus textos para além das fronteiras do Maranhão.


Ainda falando da minha verve literária, cito a minha página eletrônica conhecida como ARARIZANDO (ararizando.com). Neste espaço eletrônico na internet, publico periodicamente vários artigos relacionados ao município de Arari. Texto diversos como: resenhas, ensaios geográficos, biografias de ararienses notáveis, roteiros de viagem pelo território de Arari e crônicas. É um site bastante acessado. Com uma média de 150 acessos diários. Como orgulho, digo que é um dos sites mais visitados da nossa região.


O certo é que a literatura me faz viver. Me faz um ser capaz de pensar, escrever, criar histórias e pragmatizar ideias. Já tive a satisfação de publicar dezenas de artigos em jornais acadêmicos e de notícias em Arari e em periódicos de São Luís. Sou um dos membros da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências - ALAC -, que mais escreve para Jornal do Sodalício. Escrevo em sites e blogs diversos. Enfim, faço da Literatura uma ferramenta de construção e de difusão de pensamentos e cultura. Através da Literatura sinto-me útil. Ela preenche o meu mundo e me faz um homem melhor. Sou grato a Deus por me abençoar. Sou grato à minha família pelo incentivo, ois ela fez toda a diferença no meu existir. Sou grato aos verdadeiros amigos que me deram a mão e acreditaram no meu potencial literário. Sou grato aos ararienses pela consideração e prestígio dado ao nosso humilde trabalho.


Prof. Adenildo Bezerra, durante a noite de autógrafos do seu livro. Foto: Divulgação.

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 2017. Adenildo Bezerra. Todos os direitos autorais reservados. 

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